Resumo da Meditação de Abril de 2014 ao Grupo de Oração

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A dor feita oração  

A dor humana é algo que nos é familiar. O ser humano, de um modo ou de outro, conhece a dor física e moral, provocada pelos outros ou nascida em nós próprios, a dor é companheira da existência. E se olharmos os outros, os ouvirmos, detectamos e somos testemunhas de muita dor e sofrimentos.

 

        Mas o homem foi criado para a felicidade, a alegria, a paz a intimidade com Deus que é bondade infinita, Sumo Bem, Amor, Pai. A dor torna-se então algo de surpreendente, de enigmático, de misterioso. Só diante do Crucificado, só na fé, só na sabedoria, que vem do Espirito Santo, a dor se entende, se aceita, pode ser amada. Pelo Contrário sem esta adesão ao Senhor Crucificado, a dor é motivo de revolta, de contestação, geradora de mais sofrimento, de perda de fé. É pois necessário rezar a dor, fazer oração sobre o mistério da dor no Crucificado e nos homens. Aos poucos iremos descobrindo valores novos, iremos encontrando outras dimensões.

 

        A sagrada Escritura é grande mestra. A sabedoria de Deus, a luz do Espirito Santo, foi deixando assinalado nas páginas da Bíblia que o pecado gerou a dor, a morte. O pecado é grande mal, o único mal verdadeiro. Com ele nos vem todos os outros males.

 

        Pelo pecado chamado original, o homem revoltando-se contra Deus fechando-se em si e no seu orgulho, vai construindo um mundo diferente, semeado de mal, de dor, de pecado que marcam a existência do homem.


        A maldade vai gerando ódio e este gera morte, destruição, dor. A injustiça, a mentira, o orgulho vão sendo semente de outros males, gerados de dor, de sofrimento. Rezar a sequência dos elos da cadeia desde a origem, é começar a penetrar o mistério da dor. Ponderar, reflectir no fracasso da dor, do seu nascimento, das suas derivações, já é rezar com a Palavra de Deus, o mistério da dor, como graça purificadora.


        Jesus feito dor para reunir o pecado e o mal, para vencer a morte, Jesus o Filho de Deus feito Homem é crucificado e morto assumiu a nossa natureza com todas as suas consequências, excepto no pecado. Passou para o nosso lado, Quis fazer-se igual a nós. Primogénito, solidário com seus irmãos para salvar, remir e libertar, Jesus sobre a morte e com ela todo o sofrimento da paixão redentora.


        No alto da cruz Jesus Cristo carregou todas as dores.

        Podemos dizer que Jesus foi feito dor, assumiu as dores, carregou todas as dores. Dor física que sofreu agonia, a flagelação, a coroação de espinhos, os escarneos, as bofetadas, os cravos do madeiro. Dor moral dos insultos, das blasfémias, da traição de Judas, das negações de Pedro, da ingratidão dos homens, da passividade dos discípulos, de ver junto de Si a Sua mãe, a Senhora das Dores desfeita em sofrimento.


        Mas o momento máximo da dor do Crucificado é, sem dúvida, o grito de abandono suspenso na cruz entre o Céu e a terra, despojado de tudo, feito “verme”, ferido por causa dos crimes dos homens. Jesus sente-se só, sente na sua alma, no seu ser, o abandono do Pai: ”Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste” (Mc 15,34)


        Para remir o “abismo” entre o homem e Deus, Jesus vai sofrer no seu íntimo esta desunião para restabelecer a comunhão e a unidade do Pai com os homens.


        Na cruz é feito dor, amassado em dor, corpo, alma, ser todo inteiro repassado de dor, de sofrimento carregou todas as dores, assumiu-as, experimentou-as. Compreender e penetrar pela oração este mistério da dor do Crucificado é outro modo de rezar a dor, de fazer da dor tema de oração. Mas, o mais importante, o mais enriquecedor na meditação, das dores do Crucificado, de Jesus o Homem das dores, é perceber por dentro e meditar com a oração o sentido redentor da dor, o valor dela aos olhos do Pai, a necessidade da dor para a salvação e redenção do homem.


        Sem morte não há vida. Sem Sexta-feira Santa não há Páscoa. Sem Cruz não há glória. Sem grão de trigo que morra, não há espiga, novos grãos nova vida. A morte não é fim. É começo de vida, de sementeira, de pujança, de nova geração, é Ressurreição, vida nova. E a dor é algo que nos faz participar cada dia da morte, é experiência quotidiana, participada da morte. Cada dor é fagulha, parcela, átomo de morte. É participação da cruz, para a Ressurreição.


        Daí que não basta aceitar a dor com mais ou menos resignação. Não basta ficar passivo, sem revolta perante o mistério da dor que nos bate à porta. É preciso amá-la como algo precioso, como tesouro evangélico, como pérola divina, como acto redentor. É necessário amar a dor porque nela encontramos o crucificado. É Ele que nos visita, nos convida a abraçá-l’O, nos faz participar da Sua cruz redentora, nos associa a Ele que na cruz foi feito dor, foi grão de trigo que morreu para dar vida e ressuscitar.


        Rezar a dor, será para nós, um modo mais profundo e mais evangélico. Começar a ama-la, a compreender o seu valor redentor. Rezar a participação diária da morte do grão de trigo, será caminhar para a compreensão do mistério do amor na cruz. Na dor é contemplar em oração o seu mistério, ir-nos-á dando gosto evangélico pelo mistério da dor, já que o amor de Deus por nós passou pela morte de Seu Filho, para nos introduzir na glória da Ressurreição.


        Há ainda outra maneira de interiorizar a dor. São Paulo diz-nos que é preciso completar o que falta à paixão de Cristo. A d’Ele teve valor infinito, foi completa em méritos e redenção, pois Jesus, o homem Deus, o filho feito homem, ofereceu sacrifício de valor infinito, sendo vitima dos pecados. Mas somos membros do Seu corpo místico e precisamos de partilhar os sofrimentos e dores da cabeça da Igreja que é Cristo Jesus.


        A Paixão continua nos membros do Seu corpo, e neles se torna redentora, se actualiza em cada dia, nos membros sofredores.


        Devemos compreender este complemento, aceitar em amor esta paixão continuada e enriquecimento interior. E este levará a vermos, saborearmos, a aceitarmos e a amarmos as situações de dor como algo de necessário para que a Igreja, nos seus membros, continue redentora, salvadora, continue a unir ao sangue de Cristo a dor e o sofrimento dos membros do corpo místico.


        Aceitar a dor para tomar consciência da participação, do complemento que ele dá à paixão do Redentor. Não podemos negar nada a esta missão redentora e, com entusiasmo mergulhar n’Ele a nossa dor, mergulhar no Seu Sangue o nosso sofrimento não perder ocasiões de redenção, de salvação que a nossa dor pode realizar, completando a paixão, continuando a redenção dos homens.


        Na Parábola da videira, Deus Pai é apresentado como agricultor, Jesus é a videira, nós os ramos. O Pai cuida e vela pela videira com amor e predilecção, com cuidados paternais. Por isso mesmo poda a videira, poda os ramos que dão fruto para que dêem mais fruto, para que o resultado da colheita seja mais abundante (Jo 15,1-8). A poda é dura, exigente, purificadora, mas sem ela não há cachos. Somos ramos frutíferos, uvas em abundância. Sem poda, não haverá colheita e a videira torna-se aos poucos infrutífera, quase estéril.


        Jesus foi provado, Sua mãe, a Virgem das dores, foi provada. Os Santos, os amigos de Deus foram todos, dum modo ou de outro, provados. Deus a quem mais ama, mais prova. Não por falta de amor, por indiferença, por desconhecimento da dor provocada para nos configurar com o Seu Filho Jesus. Exactamente porque conhece, cuida e ama os ramos, exactamente porque tem solicitude paternal, é que poda para nos unir mais a Ele, para que a seiva Divina da videira, que é Jesus, circule em nós e possamos dar mais fruto.


        Amor frutificador, exigente, porque sabe o que é melhor para nós, porque deseja dar-se, comunicar-se, porque nos quer purificados, despojados, aptos para que realize em nós a Sua obra.


        A poda gera dor. A dor é purificação. Compreender a dor como poda, aperceber-se da sua necessidade das podas, do seu valor, do fruto que dão, é compreender o valor da dor, saber aceitar com amor, não fugir dela, desejá-la com ânsia de dar mais fruto, de estar mais preparado para que a colheita seja mais abundante, o fruto da nossa vida mais fecundo para bem da Igreja, para salvação dos homens para invadir o mundo da seiva Divina.


        Negar-se às provações Divinas, revoltar-se com elas, não colaborar paciente e sabiamente a esse trabalho do Pai que é o agricultor, levar-nos-á a uma vida infecunda, pouco cristã pouco evangélica. Aperceber-se de tudo isto pelo coração, pela reflexão, realizando a dor como purificação, ficamos mais aptos aceitá-la e a amá-la, mesmo que estas venham por meio dos homens e Deus se sirva deles para nos purificar.

 

        Agora é mais fácil compreender o valor da oferta das dores. Oferecer cada uma, entregá-la a Jesus, colocá-la na patena, no Santo Sacrifício do Altar. Oferecer uma a uma à medida que nos surgem que nos batem à porta momentos tão dolorosos de dor. Oferecer tudo com consciência, fé, santa alegria e com muito amor para assim colaborarmos na redenção.


        Oferecer as dores dos homens. Há tanto sofrimento pelo mundo fora, sem ser oferecido, nós devemo-lo fazer.


        O caminho da Quaresma é um caminho privilegiado para nos santificarmos. Nossa Senhora que esteve junto à cruz nos ajude a aceitar a dor como Ela aceitou, não perdermos nada mas transformarmos em oferta redentora.


12/04/2014